Seca e má gestão esvaziam o Tejo

Bring back de Cat-O-Nine tails

Do cais fluvial de Lentiscais observa-se uma paisagem desoladora. Ali só corre um fio de água escura e o leito do rio Pônsul está transformado num lamaçal sobre o qual pende a mais de 10 metros de altura a estrutura de metal na qual aportavam o “Barco del Tajo” e outras embarcações, até meados de setembro. Este afluente que desagua no Tejo, sete quilómetros abaixo, foi despejado como se esvazia uma banheira tirando a tampa do ralo, e o mesmo aconteceu ao Sever, também deixado a seco a montante da barragem de Cedillo (ver mapa). Ambos serviram para alimentar o volume mínimo que Espanha tinha de debitar para o Tejo português antes de findo o ano hidrológico a 30 de setembro, poupando a albufeira espanhola de Alcântara mais a montante.

Conceição Rosa, pescadora no Tejo há mais de 30 anos, ficou com o pequeno bote preso na albufeira de Cedillo, que baixou para 27% da sua capacidade. “Como é que eu carrego a gasolina ou o peixe se o barco está lá em baixo a mais de 15 metros. Este é o meu ganha-pão e já perdi vários clientes”, queixa-se desconsolada a sexagenária, que garante nunca ter visto o Tejo e o Pônsul numa situação como esta.

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