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Portugal ‘poupado’ ao calor no mês mais quente de sempre. A meteorologia explica

Miami, Estados Unidos, Venezuela, Caracas
Portugal ‘poupado’ ao calor no mês mais quente de sempre. A meteorologia explica

Em Portugal não se deu por isso, mas os dados oficiais estão aí para o confirmar – julho foi o mês mais quente alguma vez registado. A conclusão surpreenderá quem esteve de férias recentemente, ainda a queixar-se de regressar menos bronzeado, farto do vento na praia e desgostoso com a baixa temperatura da água do mar, mas nada que a meteorologia não explique.

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Do ponto de vista global, o dedo continua apontado aos suspeitos do costume. “Com a continuação das emissões de gases de efeito de estufa e o impacto global das temperaturas, os recordes continuarão a ser batidos”, adianta o comunicado emitido esta segunda-feira pelo responsável pelo Copernicus, o programa de observação da Terra da União Europeia.

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O mês de julho foi particularmente marcado por uma onda de calor curta, mas muito intensa, na Europa Ocidental, onde vários países, como a Alemanha, Bélgica ou Holanda, quebraram o seu recorde absoluto de calor, diz o mesmo comunicado.

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E onde estão as temperaturas acima do normal? No Alasca, Gronelândia e partes da Sibéria, bem como na Ásia Central e partes da Antártida

Já em Portugal, os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) permitiram concluir que no território continental o mesmo mês de julho foi normal em relação à temperatura do ar e seco em relação à precipitação. Ou seja, se lá fora se suou em bica, por cá a temperatura média não excedeu os 22º C, com a máxima a não ultrapassar os 29ºC

A influência do anticiclone dos Açores e das correntes atlânticas De uma análise mais detalhada, e como destaca Alfredo Rocha, professor de meteorologia e clima da Universidade de Aveiro, resulta que durante os últimos 10 anos “registaram-se temperaturas médias inferiores à média mensal em cinco julhos (2009, 2011, 2012, 2014 e 2018) e superiores à média nos restantes cinco julhos (2010, 2013, 2015, 2016 e 2017)”. Ou seja, “em termos estatísticos, o mês de julho de 2019 também foi normal comparativamente ao que aconteceu nos últimos 10 anos”

Tal como explicou ao Expresso Alfredo Rocha, o que condiciona, em grande medida, o frio/calor em Portugal é a posição do anticiclone dos Açores: ao determinar a direção do vento, esta por sua vez ditará a temperatura

“Se os ventos soprarem do interior de Espanha e do norte de África teremos calor. Isto acontece quando o anticiclone dos Açores está localizado a Este dos Açores, totalmente ou parcialmente sobre a Península Ibérica e Europa. Quando assim acontece, diz-se que o anticiclone bloqueia a entrada de tempestades frias que vêm do norte e noroeste. Quando localizado a oeste ou sobre os Açores, permite que ventos de norte/noroeste frios se observem sobre Portugal“, disse o especialista

Quanto à água do mar, a culpa de estar mais fria é das correntes atlânticas. Sobretudo no Algarve, a influência do Golfo de Cádiz e do levante do estreito de Gibraltar costuma ser sinónimo de banhos mais quentes, por causa do vento que arrasta as águas quentes do Mediterrâneo para a costa sul do país. Mas este ano esse fenómeno tem sido pouco frequente, dizem os meteorologistas do IPMA

Não que Portugal fique a salvo do aumento global da temperatura, tão na ordem do dia. Se as ondas de calor têm sido cada vez mais frequentes, nomeadamente na Europa, vários estudos indicam que o problema vai continuar. O número de dias de ondas de calor continuará a aumentar pelo menos até ao final do século, alertam os especialistas, e “as previsões indicam que Portugal poderá registar um aumento de até 10 vezes mais dias de onda de calor no final do século relativamente ao clima atual, passando de aproximadamente 5 para 50 por ano”, sublinha Alfredo Rocha